Crítica d'um Sombra

O moderno tem cores todas misturadas,
De concreto e aço fundido
Abre-se no reflexo das vidraças
As imagens do nunca-novo exibido

Sois todos cortesões,
Mas sem as vestes e os modos
Resta-lhes vergar d'um a outros salões,
Barrigudos, infantis e brincalhões

O moderno se diz indivíduo,
E ama controlar grandes números,
Ignora que no fundo, sua ira
É inveja, e seu mais profundo desejo... Tirania

O moderno ama a ciência,
Mas despreza seus fundamentos
Grita, enquanto prega sociologia
E sussurra com orgulho ensinamentos

Cujo corpo falta coesão,
Entoando uma soma sem equação,
Jorrando orações sem sujeitos,
E destituindo valores guerreiros

O moderno se diverte no plástico
Na compra e no trabalho,
Reclama de tudo passado
E se maquia com tudo o que é ofertado,

E sendo fruto deste tempo,
Não nego escolhas vividas,
Modernidades sentidas,
Mas sou figura doutro eixo

Sei que aborreço, mas sou sombra do que jaz morto....

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